quarta-feira, 20 de março de 2013

Dez Anos da Criminosa Invasão ao Iraque.


Nesse 20 de Março, completa-se dez anos de uma das maiores atrocidades ocorridas nesse século. A invasão ao Iraque pelas tropas de guerra dos EUA apoiadas pela Reino Unido iniciaram um processo de expansão beligerante do imperialismo decadente na região do Oriente Médio.

Diante da eminente escassez de petróleo, combustível fóssil fundamental para o funcionamento da indústria norte-americana e a sensibilidade da opinião pública à “guerra ao terror” após os ataques de 11 de Setembro de 2001, George W Bush, encontrou todas as condições favoráveis para terminar aquilo que seu pai quando presidente dos EUA em 1991 não conseguirá, ou seja, invadir e ocupar o 2º maior produtor de petróleo do mundo e país estratégico na região do Oriente Médio devido as fronteiras e proximidades com regiões instáveis e ou estratégicas para a dominação econômica e política na região.

Sob a argumentação de combate a armas químicas e biológicas - que nunca foram encontradas- e contrariando a decisão do conselho de segurança da ONU, que não havia aprovado a invasão, a coalizão formada pelos EUA, Reino Unido e Espanha investiram o que havia de mais alta tecnologia bélica e após cerca de três meses de violentos combates e bombardeios a invasão ao território iraquiano se fazia por completo.

Apesar de todo o arsenal ideológico revestido entorno da invasão imperialista, em todo o mundo milhares de manifestações marcaram o repúdio a agressão imperialista e mesmo no Iraque não foram poucos os heróicos exemplos de resistência de um povo que compreendeu o julgo ao qual estavam prestes a serem submetidos. A batalha de Faluja, talvez tenha sido o melhor exemplo da destemida resistência iraquiana.

Passados cerca de 10 anos ficaram um rastro de mais de 120 mil mortes de civis iraquianos apenas nos dois primeiros anos de conflitos, atingidos diretamente pelos ataques das forças imperialistas ou pelos conflitos armados desencadeados pela disputa de poder entre etnias e grupos religiosos, alguns financiados pela CIA para manter o grau de instabilidade e justificar dessa forma a manutenção das tropas norte- americanas.

Além da subjugação militar, o povo iraquiano ainda se viu humilhado em cenas de torturas e agressões morais nos presídios ocupados pelas forças militares invasoras onde eram promovidas por soldados e oficiais norte-americanos em especial, as mais diversas violações aos direitos humanos e excrecências morais à dignidade humana.

As reservas de petróleo passaram a ser administradas em pouco tempo por empresas britânicas e estadunidenses e o modelo de governo importado e imposto ao povo iraquiano elegeu um parlamento e um governo subserviente aos ditames do imperialismo norte-americano.

Além disso o trabalho de reconstrução do Iraque seguiu a risca o velho modelo de guerra de destruição produtiva, pois centenas de acordos bilionários foram firmados entre o governo do Iraque imposto, com empreiteiras francesas, britânicas, japonesas e norte-americanas para reconstruir pontes, viadutos, portos, refinarias, estradas e tudo aquilo que garante a logística de funcionamento da produção e distribuição de petróleo no país.

O saldo dessa que foi a marca de uma nova série de ações imperialistas no Oriente Médio e que ainda continuam atualmente através de exércitos mercenários na Líbia e Síria, foi a marca surpreendente de mais de 1,5 milhões de iraquianos mortos nessa década e mais de 3.2 milhões de refugiados de guerra e dos conflitos que se seguiram em todo o pais.

O PCB desde o início desse ataque denunciou o caráter imperialista e os reais motivos econômicos e políticos por detrás dessa aberração histórica; apoiamos e participamos de todos os atos contra a guerra genocida e prestamos toda a nossa solidariedade militante ao povo árabe, pois essa agressão ao Iraque na realidade foi uma agressão a soberania e a auto determinação do povo árabe na região.

Os ataques aos quais nesse instante o povo sírio enfrenta, assim como o povo palestino enfrenta a décadas são a expressão contínua de uma mesma lógica perversa de dominação imperialista na região tendo nos EUA e em Israel seus principais condutores.

Nesse 20 de Março reafirmamos nosso compromisso militante em combater e denunciar aonde quer que seja, as agressões imperialistas e as contradições do sistema capitalista que se agudizam com a crise e aumentam a pressão e a subjugação sobre os povos trabalhadores em todo o mundo.

Reafirmar nossa solidariedade ao povo árabe em geral e em especial ao povo iraquiano, palestino, iraniano e sírio, que tem sofrido em ações diversas e concomitantes, investidas contra sua liberdade e autonomia se torna imperativo a todos nós que desejamos uma sociedade livre do julgo do capital e que fazemos da solidariedade internacionalista instrumento de ação e consciência de classe de que a resistência e a luta é de todos nós.

Fábio Bezerra.
Secretário Político do PCB-MG.



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    Fábio Bezerra.

 "Os homens são aquilo o que fazem e como o fazem" 
Trecho da Ideologia Alemã- livro I
K. Marx e F. Engels.

terça-feira, 7 de agosto de 2012

FRENTE DE ESQUERDA SOCIALISTA - SABARÁ

CARTA ABERTA DO PCB À POPULAÇÃO SABARENSE

Esses ano teremos eleições para prefeito e vereadores em todas as cidades brasileiras. De um modo geral, os cidadãos são levados a acreditar que o processo democrático acontece de quatro em quatro anos, ou de dois em dois (já que eleições municipais e estaduais/federais não coincidem) e se reduz ao processo eleitoral. A grande mídia (emissoras de televisão, rádios e jornais), faz com que eleições se transformem em um show e com isso elimina o debate real sobre os problemas dos municípios.

A maioria dos partidos são voltados exclusivamente para as eleições, e são capazes de alianças das mais espúrias para chegar ao poder. O PCB – PARTIDO COMUNISTA BRASILEIRO, se recusa a fazer esse jogo que considera sórdido e transforma os partidos políticos brasileiros em meras representações de grupos econômicos locais, cujos interesses não são os dos trabalhadores.

Em Sabará, querem transformar a eleição em um plebiscito entre os dois lados da mesma moeda; a situação, alavancada por um passado de obras emergenciais executadas na cidade, mas sem avançar um milímetro em questões sociais importantes como educação e saúde, entre outros; e a oposição do momento, que tão pouco tem um projeto voltado para os trabalhadores, escorando-se em figuras execradas pela população de Sabará. Estas duas candidaturas não representam os interesses do povo sabarense, pelo contrário, significam a continuidade de gestões que tem asfixiado o trabalhador de Sabará e levado nossa cidade a morte por inanição.

Não temos trabalho em nossa cidade, a maioria do nosso povo busca sua sobrevivência na capital, em empregos mal remunerados, retornando em ônibus superlotados, desrespeitados e humilhados. Se conseguir marcar uma consulta no sistema de saúde, o cidadão esperará durante meses para ser atendido. A segurança pública, ao invés de proteger, criminaliza os moradores das áreas mais pobres. Sabará se tornou um curral eleitoral, e as regionais são repartidas na base do clientelismo.

Mas como disse Guimarães Rosa, o que a vida nos pede é coragem, e é com essa disposição para construir uma outra Sabará que apresentamos a candidatura do companheiro Vanderlin para Prefeito do nosso município, e pedimos seu voto para a nossa chapa de vereadores através do número 50. O PCB compõe essa chapa com o camarada Joaquim Goulart candidato a vice-prefeito. Morador histórico da cidade, Joaquim foi dirigente sindical do Sind-eletro até se aposentar na Cemig, e fundador do Bloco Carnavalesco Cultural Tapa na Peteca, além de secretário político do PCB em Sabará, e membro da sua direção estadual.

Não seguimos aquela cartilha que “o feio é perder eleições”, pois entendemos exatamente o contrário. O feio é ganhar eleições através da compra de votos, das falsas promessas, das ações políticas inconsistentes que transformam o jogo eleitoral só num jogo e em que a participação popular some após o pleito e o eleitor é tratado como consumidor de um ou outro candidato transformado em mercadoria ao sabor das conveniências do momento.
Como nos ensinou o poeta Betold Brecht, devemos desconfiar do mais trivial, mesmo que tenha uma aparência singela. E devemos examinar, sobretudo, o que parece habitual. Suplicamos expressamente: não aceitem o que é de hábito como coisa natural, pois em tempo de desordem sangrenta, de confusão organizada, de arbitrariedade consciente, de humanidade desumanizada, nada deve parecer natural, nada deve parecer impossível de mudar.


PCB – PARTIDO COMUNISTA BRASILEIRO
COMITÊ   MUNICIPAL DE SABARÁ/MG

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Intervenção do Camarada Joaquim Goulart, Secretário Político do Comitê Municipal do PCB de Sabará por ocasião dos 90 anos do PCB, durante homenagem que a Câmara Municipal sabarense prestou ao Partido


No Brasil, diferente da Europa, que assistiu a organização de partidos operários ao longo do século XIX com designação social-democracia, a formação do Partido Comunista Brasileiro (PCB) vinculou-se diretamente ao sucesso da Revolução de Outubro de 1917 na Rússia. A maior presença de operários originários do movimento anarquista expressou essa realidade específica do Brasil.

Em 1922 quanto foi fundado o Partido comunista Brasileiro (PCB), o Brasil tinha pouco mais de 30 milhões de habitantes, e a maioria morava do campo.

Vivia-se então, o capitalismo agrário-exportador e a economia dependia principalmente da exportação de produtos primários, sobretudo o café.

Desde fins do século XIX, alterou-se a organização do espaço no eixo Rio – São Paulo, devido à intensificação do processo urbano – industrial.

Nesse contexto crescia a classe operária, para isso contribuindo a multiplicação de pequenas indústrias. Igualmente foi importante a chegada de imigrantes, na sua maioria da Itália, da Espanha e de Portugal.

Eles despertaram o movimento dos trabalhadores. Organizaram sindicatos. Editaram jornais. Distribuíram panfletos e manifestos. Animaram congressos e manifestações. Lideraram greves. Montaram peças de teatro com conteúdo político.

Mas, eles eram na sua maioria anarquista. E o Anarquismo coloca em primeiro plano a liberdade do indivíduo. Seu lema é “todo para o indivíduo”. Mas a luta dos operários era uma luta de classes, era uma luta pela emancipação das massas e dos trabalhadores, e só através desta libertação viria então a emancipação do indivíduo.

Por que então fundar o Partido Comunista nos moldes de marxismo-leninismo?

A conjuntura da década de 1920 marcou a crise da República Oligárquica no Brasil. Eram visíveis os sinais das contradições na sociedade agrário-exportadora. Claras manifestações de descontentamento de classes marginalizadas do poder tornaram-se freqüentes.

O crescimento e o amadurecimento do proletariado urbano refletiam a gravidade de uma questão social que as elites procuravam conter. Apesar da violenta repressão das autoridades, o movimento grevista foi impulsionado entre 1916 e 1920, culminando com a greve geral de 1917 no Estado de São Paulo e a tentativa de insurreição, no Rio de Janeiro, em novembro de 1918.

O governo usava a Lei de Expulsão de Estrangeiros visando banir os líderes anarquistas grevistas. As prisões se sucediam. Inúmeros operários foram mortos.

Apesar disso, o proletariado ganhou vida nova com a notícia da Revolução Russa de 1917. Seu impacto injetou esperança no operariado brasileiro, além de influenciar segmentos das classes médias. Entre 1918 e 1921, foram criados muitos grupos, ligas e até partidos comunistas no Brasil. Para muitos trabalhadores e intelectuais pareciam mais corretas as idéias do marxismo-leninismo do que as defendidas pelos anarquistas.

Foram criadas no Rio Grande do Sul, a Liga Comunista de Livramento, a União Maximalista em Porto Alegre que se tornou Grupo Comunista de Porto Alegre.

Em 1919 no Rio, liderados por José Oiticica organizaram o Partido Comunista Anarquista, criaram o jornal SPARTACUS, dirigido por Astrogildo Pereira.

Também 1919, em São Paulo, anarquistas transformaram a Liga Comunista em Partido Comunista do Brasil.

Não se pode esquecer a influência exercida pela III Internacional Comunista em 1919. Foi ela centro propulsor e estimulante da criação de partidos comunistas em todos os países.

Estavam dadas as condições para a criação de um partido comunista nos moldes do marxismo-leninismo.

Em novembro de 1921, quando se comemorava o quarto aniversário da Revolução Russa, o Grupo Comunista aprovou a convocação do I Congresso do PCB que seria formalizada mais tarde, em 25 e 26 de Março de 1922. Eles eram apenas um reduzido grupo de militantes. Não mais de setenta em todo Brasil. Sabiam pouco de marxismo, mas tinham sede de justiça e estavam dispostos a lutar por ela.

Eles eram apenas nove delegados, intelectuais, alfaiates, impressor, vassoreiro, eletricista, barbeiro, e pedreiro. E nem puderam cantar muito alto a internacional naquela casa de Niterói em 1922. Mas Astrogildo, Cristiano, Joaquim, Manoel, João, Luiz, Hermogênio, Abílio e Jose que citava Lênin a três por dois, cantaram e fundaram o partido,. O canto deles, apesar de baixo, ecoa por todo o Brasil desde Março1922, e ecoará sempre enquanto houver miséria e injustiça.

O PCB não se tornou o maior Partido do Ocidente. Nem mesmo do Brasil. As ditaduras ferrenhas e sanguinárias o desfiguraram, eliminando e desaparecendo com grande parte de seus dirigentes, amedrontando e torturando militantes e seus familiares, fazendo todo o possível para eliminá-lo, Mas não o conseguiram, apenas o fortaleceram. O ideário comunista, concebido no Materialismo Histórico, na Economia Política e no Comunismo Científico fundado por Marx, Engels e complementado por Lênin falou mais alto. Nossa confiança numa sociedade justa, “e digo justa, e não mais justa”, e igualitária jamais foi, ou será abalada, pois nos fomos, somos e seremos sempre comunistas. Mas, camaradas e convidados, quem contar a história de nosso povo e seus heróis. Tem que falar dele. Tem de falar do nosso partidão. Tem de falar do PCB.

Ou então estarão mentindo.

quarta-feira, 18 de abril de 2012

VIDEO: SABARÁ COMEMORA OS 90 ANOS DO PCB COM SESSÃO SOLENE NA CÂMARA MUNICIPAL



EX-VEREADOR DO PCB, CASSADO EM 1964, JOSÉ FRANCISCO NERES, É REEMPOSSADO SIMBOLICAMENTE, JUNTO COM SEU COMPANHEIRO TAMBÉM DO PCB À ÉPOCA, JOÃO SOTERO

Ato em homenagem aos 90 anos do PCB em Sabará. Emoção a toda prova. O presidente da Câmara Municipal, Maurílio Barbosa da Silva e a vereadora Terezinha Berenice de S. van Stralen, fizeram a chamada e, simbolicamente, reempossaram o líder sindical José Francisco Neres, secretário político do PCB de Belo Horizonte em sua cadeira de vereador, 48 anos depois de ter sido cassado pelo golpe cívico-militar de 1964. O plenário aplaudiu de pé e logo após, o dirigente do PCB tocou a Internacional , com a audiência acompanhando a letra de Eugène Pottier, de 1871 ( a música é de Pierre Degeyter, de 1888) no telão. Muita gente deixou o auditório em lágrimas, tamanho a beleza e o significado da solenidade. Representantes do PCB, como Fábio Bezerra ( do Comitê Central) e Túlio Lopes ( do Comitê Estadual) falaram durante o ato, bem como o secretário político do PCB em Sabará, Joaquim Goulart, representantes do PSOL e do PT, além de líderes comunitários e sindicais locais também falaram. Outros oradores foram a representante do Coletivo Ana Montenegro, Maria Angélica, o representante da Associação Cultural José Martí, Magela Medeiros, o representante da Unidade Sindical, Patrick Osório, bem como o Luís Fernando, membro da Juventude Comunista e do PCB de Sabará e ainda o professor Pablo Lima. Entre os presentes estava o membro do Comitê Estadual do PCB e possível candidato do partido a vice-prefeito Antonio Almeida, o Almeidão, também membro do Comitê Central do PCB. O discurso do ex-vereador José Francisco Neres foi bastante emocionante, relatando como chegou à Câmara, "graças ao trabalho de base", principalmente entre os tecelões de Marzagão, lá em Sabará, junto com seu companheiro comunista João Sotero, outro reempossado simbolicamente na sexta-feira última, ao final do ato solene em homenagem aos 90 anos do Partido Comunista Brasileiro. Uma placa em homenagem aos mais de 50 anos de ação do sindicalista José Francisco Neres em favor dos trabalhadores, sempre militando no PCB, foi entregue pelo membro da Juventude Comunista e representante da Unidade Classista, Patrick Osório, em nome do PCB, Comitê Municipal de Sabará. Acompanhe neste mesmo espaço mais notícias das homenagens aos 90 anos do Partidão

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

90 ANOS DO PCB

AOS MILITANTES, AMIGOS E SIMPATIZANTES DO PCB

Em 25 de março de 2012, o PCB estará  comemorando 90 anos de uma extraordinária história, de alegrias e tristezas.
Em função de vários períodos de clandestinidade, da repressão de ditaduras e da ação de oportunistas, dispomos em nossos arquivos de poucos documentos (livros, fotografias, áudios, vídeos, objetos e outros registros políticos, históricos e literários) que retratem a intensa vida do PCB nestes 90 anos.
Carecemos também de depoimentos escritos ou gravados, com narrativas sobre aspectos diversos da vida partidária, curiosidades, histórias inéditas, alegres ou tristes.
O Secretariado Nacional do PCB está encarregado de centralizar a recepção de todo este material espalhado pelo país. O material pode ser enviado ao PCB pessoalmente, por via postal ou eletrônica.
Com a tecnologia hoje disponível, você não precisa se desfazer do seu acervo pessoal, que certamente tanto lhe orgulha. Fotos e documentos podem ser escaneados e enviados por via eletrônica. Se o doador não tiver conhecimentos tecnológicos ou recursos materiais para a reprodução e remessa de sua contribuição, providenciaremos formas de ajudá-lo, inclusive com a interação de camaradas do PCB em sua região.
Todo este material será divulgado nos sítios eletrônicos do PCB e da Fundação Dinarco Reis, ligada ao Partido. Muitas das doações serão aproveitadas para publicações e outras iniciativas comemorativas dos 90 anos. Os doadores só serão identificados, se desejarem.
REPRODUZA POR TODOS OS MEIOS POSSÍVEIS ESTA CIRCULAR.
POR TODOS OS RINCÕES DO BRASIL HÁ  MILHARES DE COMUNISTAS, AMIGOS E FAMILIARES DE MILITANTES DO PCB QUE PODEM NOS AJUDAR.
VEJAM AS FORMAS DE ENTREGA DO MATERIAL:
Por via postal:
- PCB – Partido Comunista Brasileiro
Rua da Lapa, 180 – grupo 801 – Lapa (Rio de Janeiro) – CEP 20021-180.
Por telefone:
- PCB: 021-2262-0855 (secretária eletrônica)
Por via eletrônica:
pcb@pcb.org.br Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo.
Secretariado Nacional do PCB, janeiro de 2012

domingo, 22 de janeiro de 2012

Lênin: necessário em 1917, 1924 e 2012

Uma vida dedicada à Revolução

Obra e exemplo de líder revolucionário falecido em 21 de janeiro de 1924 continuam atuais
Em 1898, o então maior nome do movimento operário russo, Georgi Plekhanov, lançava um documento levantando uma questão incômoda para todos aqueles que se desprendem de vaidades pessoais para organizar, coletivamente, a transformação radical da sociedade. Seu livro se chamava O papel do indivíduo na História. Ironias dessa mesma História, foi também naquele ano que Plekhanov conheceu um jovem de 28 anos chamado Vladimir, recém-casado com sua Nadja e que poucos meses depois iria publicar seu seminal O desenvolvimento do capitalismo na Rússia. É imperioso afirmar, e nem o mais reacionários dos burgueses nega, o colossal papel de Vladimir, codinome Lênin, na história dos revolucionários, da política, da humanidade.
O falecimento de Vladimir Ilyitch Ulianov completa 88 anos neste 21 de janeiro de 2012. Em apenas 53 anos de vida - ele nasceu em 22 de abril de 1870 - Lênin foi muito mais que um estudioso das relações sociais e econômicas do capitalismo, o propagandista e agitador revolucionário, o organizador do Partido e da Internacional comunistas. Foi também um ferrenho opositor do reformismo e do economicismo, dedicado a desmascarar os oportunistas de direita e de esquerda no movimento operário, um líder afeito ao bom e produtivo debate.
A vida pessoal e os gostos de Volodia - seu apelido familiar -, como a pretensa falta de hobbies para além do xadrez e da leitura de Alexander Pushkin, Ivan Turgenev, Leo Tolstoy e Nikolay Nekrasov, e sua exígua estadia pela advocacia, são apenas notas de rodapé na biografia de um dos pilares da Revolução Russa de 1917, líder do Partido Comunista e primeiro presidente do Conselho dos Comissários do Povo de uma recém-criada União Soviética. Digno de registro, que ajuda a explicar sua trajetória, apenas o enforcamento de seu irmão mais velho - por conspiração em um atentado terrorista contra o Tzar Alexander III.
Quase que ao mesmo tempo da morte do irmão, Alexandre Ulianov, toma conhecimento das obras de Plekhanov. Em 1887, com 17 anos, lê as obras de Karl Marx e Friedrich Engels e estabelece contato com outros revolucionários. É preso numa manifestação e, em 1892, traduz o Manifesto do Partido Comunista para o russo.
Em 1893, muda-se para São Petersburgo, onde, dois anos mais tarde, irá fundar a Liga da Luta pela Emancipação da Classe Operária. Em dezembro de 1895, é preso por conspirar contra Alexandre III. Após 14 meses de prisão, é exilado para a Sibéria em fevereiro de 1897.
No final de seu exílio, deixa a Rússia para viver em Munique (1900-1902). Lá, ao lado de Martov, funda o jornal Iskra, publicação do Partido Operário Social-Democrata Russo (POSDR). Precisa mudar-se novamente de país e, em Londres (1902-1903), participa do 2º Congresso do POSDR. É nesse congresso que vai liderar a ala bolchevique ("maioria" em russo) contra os mencheviques ("minoria"), ruptura que originará o livro Que Fazer?.
Após estadia em Genebra (1903-1905), Lênin retorna à Rússia para participar da Revolução de 1905. Em 1906, é eleito presidente do POSDR, mas precisa novamente se exilar após a carnificina czarista promovida contra a tentativa de revolução. Só voltaria para seu país em 1917.
Durante este hiato, publica Materialismo e Empiriocriticismo (1909), crítica a uma variante de idealismo, ataca o reformismo da II Internacional e se opõe à participação dos trabalhadores e camponeses na I Guerra Mundial. Escreve Imperialismo, Fase Superior do Capitalismo. Lênin identifica, na Primeira Guerra Mundial, a expressão da disputa acirrada entre os interesses imperialistas, refletindo a necessidade de expansão mundial do capital. Por isso, definia a guerra imperialista como uma ação totalmente reacionária, contra a qual era preciso se posicionar firmemente, do ponto de vista do internacionalismo proletário e da revolução.
A análise de Lênin sobre a dinâmica histórica do capitalismo também lhe permitiu apontar o caráter da revolução na Rússia, armando os bolcheviques para o enfrentamento às concepções mecanicistas e capitulacionistas dos mencheviques. Quando estes tentaram minimizar a importância da onda revolucionária com o pretexto de que “a Rússia não estava bastante desenvolvida para o socialismo”, Lênin e os bolcheviques afirmaram que o caráter mundial da guerra imperialista mostrava que o capitalismo mundial havia alcançado o nível de amadurecimento necessário para a revolução socialista.
1917, um capítulo à parte
Em fevereiro de 1917, manifestações populares na Rússia forçam a saída do czar Nicolau II e os mencheviques assumem o poder. Determinado a voltar à Rússia, Lênin conta com o apoio do comunista suíço Fritz Platten para obter permissão do ministro alemão das Relações Exteriores de viajar através da Alemanha para sua terra natal.
Em 16 de abril (3 de abril no calendário gregoriano), chega à Estação Finlândia, em São Petesburgo. Suas Teses de Abril acabavam de sair do forno: nelas, defendia abertamente que os bolcheviques organizassem uma revolução socialista e dessem o poder aos sovietes. Poucos meses depois, suas propostas se mostrariam acertadas.
Concluída a revolução socialista em outubro de 1917, lidera o governo bolchevique no enfrentamento à guerra civil incensada pelas forças conservadoras, com apoio do imperialismo, até 1921, vencida pelo proletariado russo. Comanda a instauração da NEP (Nova Política Econômica) e escreve Esquerdismo, doença infantil do comunismo. Vários acidentes vasculares cerebrais o prejudicam, fazendo com que venha a falecer em 21 de janeiro de 1924.
A teoria a serviço da revolução
A biografia de Lênin está umbilicalmente ligada à luta política contra o reformismo no interior do movimento socialista mundial. Em resposta ao desenvolvimento do oportunismo na Segunda Internacional, grupos comunistas em vários países passaram a resgatar os princípios revolucionários do legado de Marx e Engels, para fazer contraponto à social-democracia. Essas correntes apareceram quando a expansão imperialista fazia vislumbrar a perspectiva de um conflito armado entre as grandes potências do capitalismo e, em paralelo, se acirrava a luta de classes (com a deflagração de greves gerais políticas e, sobretudo, de greves de massas nos países capitalistas).
Contra o oportunismo de Bernstein e outros revisionistas, os bolcheviques, o grupo dos tribunistas holandeses, Rosa Luxemburgo e vários revolucionários aprofundaram a análise marxista para entender a dinâmica das crises cíclicas do capitalismo (como fez Lênin em Imperialismo, fase superior do capitalismoe Rosa Luxemburgo em A Acumulação do Capital), as causas das posturas oportunistas (Rosa Luxemburgo em Reforma ou revolução e, mais tarde, Lênin em A Revolução Proletária e o Renegado Kautsky) e reafirmaram a necessidade da destruição violenta e definitiva do capitalismo (Lênin em O Estado e a Revolução e Rosa Luxemburgo em Que quer a Liga Spartacus?).
Em Que Fazer?, publicado em 1902, Lênin já havia assinalado, de forma categórica, a opção pelo caminho revolucionário contra a perspectiva da colaboração de classe, disseminada pela social-democracia. Uma das principais teses da obra é a de que “sem teoria revolucionária, não pode haver prática revolucionária”. Citando Marx na famosa carta sobre o programa de Gotha, Lênin lembra que o fundador do materialismo histórico dizia ser inaceitável qualquer tipo de concessão teórica e de barganha com os princípios revolucionários.
O estímulo ao estudo e a difusão da teoria marxista são tarefas prioritárias do Partido, pois, segundo outra ideia presente em Que Fazer?, “a consciência socialista não brota espontaneamente das lutas do proletariado”. Atacando o que denominou de “culto à espontaneidade”, destacou a necessidade do Partido de vanguarda e dos militantes profissionais, ou seja, da organização revolucionária, para orientar as massas no sentido da mobilização e da ação consequente contra o regime do Czar e a ordem capitalista. O Partido, então, deve “ir a todas as classes da população”, assumindo o papel de propagandista, agitador e organizador da luta proletária, assim como de educador, a expor a todos os trabalhadores e demais camadas populares os objetivos gerais do programa socialista.
Criticando os métodos artesanais, a improvisação e a desorganização que grassavam entre os oposicionistas russos, sobre quem dizia que “partiam para a guerra como autênticos mujiques, armados apenas de um bordão”, defendeu que a organização revolucionária deve ser diferente da organização sindical, esta centralmente voltada para a luta econômica contra os patrões. Entendendo que a luta política é muito mais ampla e complexa que as batalhas sindicais, a organização dos revolucionários deve englobar “homens cuja profissão é a ação revolucionária”, pois não seria possível combater a ditadura czarista e, muito menos, avançar na luta pela derrubada do capitalismo, sem que alguns homens e mulheres se dedicassem exclusivamente a esta tarefa.
Para cumprir tais objetivos, levando-se em conta as condições políticas na Rússia dos primeiros anos do século XX, se fazia necessário um alto grau de centralização organizativa, com o cuidado de que a especialização do trabalho revolucionário e a clandestinidade não levassem ao descolamento das massas, nem se mostrassem incompatíveis com os princípios democráticos. Por fim, Lênin postula que, no Partido revolucionário, deve desaparecer por completo toda distinção entre operários e intelectuais.
Outra obra essencial é O Estado e a Revolução, escrita em agosto e setembro de 1917, às vésperas, portanto, da revolução bolchevique. Lênin sistematiza as ideias de Marx e Engels sobre o Estado capitalista e a ditadura do proletariado, buscando atualizar a sua aplicação na luta política em tempos de capitalismo monopolista e de imperialismo, ou seja, segundo seus prognósticos à época, de preparação para a revolução socialista mundial. Reforçando que o princípio democrático é um princípio proletário, Lênin reafirma, fundamentalmente, o caráter de classe do Estado, desmistificando o pensamento burguês segundo o qual a democracia política é inerente à ordem fundada pelos liberais. Na verdade, a consolidação do capitalismo monopolista e do imperialismo representou um retrocesso nas práticas democráticas conquistadas em vários países graças às intensas lutas operárias travadas ao longo do século XIX. Ao caracterizar o Estado como instrumento a serviço do grande capital, o líder bolchevique projetava a tendência, hoje cada vez mais evidente, da total incompatibilidade entre a ordem capitalista e a democracia.
A Internacional Comunista
Após a Revolução de Outubro de 1917, o movimento socialista internacional viu-se envolvido na crença de que a ruptura histórica com o capitalismo era iminente e de que uma nova onda revolucionária iria varrer o mundo, estabelecendo rapidamente, na Europa e no ocidente, uma nova sociedade dirigida pelos operários. Daí que, em março de 1919, realizou-se, em Moscou, a convite dos bolcheviques, o Congresso de fundação da III Associação Internacional dos Trabalhadores, também chamada de Internacional Comunista (IC) ou Komintern, constituída por representantes de numerosos pequenos grupos revolucionários europeus, aqueles que em seus países haviam rompido com a social-democracia, dando início à formação dos partidos comunistas. Definia-se a luta pela afirmação da ditadura do proletariado no lugar da democracia burguesa como um dos princípios fundamentais da entidade, na perspectiva de criação de uma “União Mundial das Repúblicas Socialistas Soviéticas”. Mas o contexto internacional era de refluxo do movimento operário e socialista e de derrota de lutas populares e tentativas revolucionárias na Alemanha, na Áustria, na França, na Hungria, na Itália.
No segundo congresso, reunido em 1920, foram aprovadas as Teses sobre a questão nacional e colonial, redigidas por Lênin, que inseria as lutas nacionais na sua teoria do imperialismo, propondo a união do movimento anti-imperialista, formado pelo conjunto de movimentos de libertação nacional e colonial, aos objetivos estratégicos da revolução mundial, sob a liderança dos bolcheviques da Rússia Soviética, num momento em que esta se via cercada pelos ataques dos países imperialistas durante o período conhecido como “comunismo de guerra”.
Lênin combateu, neste Congresso, a argumentação segundo a qual apoiar movimentos coloniais de caráter democrático-burguês favoreceria a afirmação de um espírito nacionalista que impediria o despertar da consciência de classe nas massas exploradas. Em contrapartida, defendeu o conceito de “nacionalismo revolucionário”, descartando a visão linear das fases obrigatórias no processo revolucionário, a prever uma etapa democrático-burguesa, o que parecia indicar a insistência, por parte de certos dirigentes comunistas, em criar um modelo de transformação social copiado da história europeia. Para Lênin, os movimentos nacionais tinham validade revolucionária se fossem protagonistas de um processo de transição para a revolução socialista, não sendo aceita como inevitável a realização da etapa burguesa, pois dizia: “os países atrasados, com a ajuda do proletariado dos países avançados, podem passar ao regime soviético e, através de determinadas etapas de desenvolvimento, ao comunismo, evitando o estágio capitalista de desenvolvimento”.
Na concepção de Lênin, quando se falava em movimento democrático-burguês ou revolucionário-nacional, tinha-se em mente a percepção de que a massa principal da população a ser atraída para a luta revolucionária nos países dominados pelo imperialismo seria composta pelo campesinato. O apoio dos comunistas ao movimento democrático-burguês traduzia-se na luta contra a exploração imperialista lado a lado com os camponeses, representantes da pequena burguesia rural, cujos objetivos políticos eram vistos como potencialmente progressistas e conflitantes com os interesses da burguesia industrial e financeira, já comprometida com o imperialismo. Numa realidade em que o proletariado ainda não se organizara de forma a se tornar a principal força hegemônica na revolução, a aliança com o campesinato aparecia como a melhor tática para a luta anti-imperialista e a conquista de um poder alternativo ao exercido pelos grupos capitalistas.
A essência desse pensamento pode ser revisitada no clássico Duas Táticas da Social-Democracia na Revolução Democrática, escrito por Lênin no ano de 1905, como contribuição para o aprofundamento da luta revolucionária na Rússia. A revolução democrático-burguesa era vista como inevitável e, mesmo, necessária, naquela conjuntura específica de um país de economia agrária com sobrevivências de relações feudais, para varrer os restos do regime de servidão e da superestrutura aristocrática, incluindo a própria monarquia czarista, e garantir o pleno desenvolvimento das relações capitalistas. Daí que, segundo Lênin, a revolução democrática, burguesa por seu conteúdo econômico e social, também fosse do interesse da classe operária e dos camponeses, por sua capacidade de proporcionar mudanças que estabelecessem novas formas de organização social e política, permitindo maior fôlego à organização e à luta do proletariado em prol de sua total libertação.
Mas não era admissível, para o líder comunista russo, que o proletariado ficasse à margem da revolução burguesa, tampouco que entregasse a sua direção à burguesia, mas, pelo contrário, era preciso lutar para ampliar os limites democrático-burgueses da revolução no sentido da satisfação das necessidades e dos interesses do proletariado, preparando o caminho de sua vitória completa, a sociedade socialista. Como a burguesia e a pequena burguesia russas não haviam ainda formado um grande partido popular, caberia aos bolcheviques dirigir o processo, liderando não só o proletariado, mas também aqueles grupos e elementos sociais capazes de marchar ao seu lado, visando à conquista da democracia revolucionária.
No III Congresso da IC, realizado em 1921, com base em seu texto Esquerdismo, doença infantil do comunismo, Lênin passa a reconhecer que a onda revolucionária havia regredido, centralmente na Europa, daí a necessidade de um trabalho dos comunistas no interior dos sindicatos dominados por direções reacionárias, além da participação nas eleições instituídas pelo calendário político democrático-burguês, tendo em vista a conquista de cadeiras, pelo movimento operário, nos parlamentos dos países capitalistas. Lênin percebe que os partidos comunistas fora da Rússia Soviética tinham pequena inserção junto às massas e insistiam em adotar táticas revolucionárias calcadas na experiência dos bolcheviques, as quais não demonstravam ser adequadas à realidade social, econômica e política do ocidente capitalista. Pois não eram as mesmas as condições que favoreceram, na Rússia, o desenvolvimento do processo revolucionário. Era preciso “trabalhar obrigatoriamente onde está a massa”.
Lembrava Lênin que os bolcheviques necessitaram de quinze anos para se preparar como uma força política organizada para a conquista do poder na Rússia, afirmando que a vitória sobre a burguesia seria impossível sem uma “guerra prolongada, tenaz, desesperada, de vida ou de morte; uma guerra que exige tenacidade, disciplina, firmeza, inflexibilidade e unidade de vontade”. Afinal, tratava-se de enfrentar um poder que não residia apenas na força do capital e na solidez das suas relações internacionais, mas igualmente na “força do costume, na força da pequena produção”. O dirigente bolchevique indicava a necessidade de uma revolução que fosse também capaz de promover transformações de ordem moral e cultural para vencer a ideologia do capitalismo.
Era preciso saber respeitar e reconhecer, através de muito estudo e acurada investigação das realidades nacionais, as especificidades existentes na economia, na política e na cultura de cada país, que forçosamente exigiriam formas particulares de luta, capazes de adaptar os princípios fundamentais do comunismo às características próprias de cada nação. Para tal, não bastaria a ação isolada da vanguarda, nem um trabalho voltado apenas à agitação e à propaganda, pois somente através da própria experiência política das massas seria possível desenvolver formas de abordagem da revolução proletária, ou seja, táticas de luta eficazes na mobilização popular e no enfrentamento às classes dominantes. Tendo afirmado que os revolucionários deveriam saber combinar modos diferenciados de embate político, Lênin deixava claro não haver um modelo único ou uma receita para a vitória da revolução, destacando ser necessário que “todos os comunistas de todos os países tenham consciência em toda a parte e até o fim da necessidade da máxima flexibilidade na sua tática”.
Flexibilidade na tática, mas não princípios, tampouco na estratégia. A radicalidade do pensamento de Lênin provocou a reação virulenta da burguesia e da social-democracia, que demonizaram o líder bolchevique e tudo o que ele representa. Em contrapartida, para os revolucionários e trabalhadores conscientes da necessidade de destruir a ordem capitalista e construir o socialismo, há a certeza de que seu legado político mantém-se como um guia indispensável para a ação transformadora. As ideias de Lênin e a Revolução Russa de 1917 marcaram a ferro e fogo todo o século XX. Além de retomar o impulso revolucionário de Marx, com Lênin o socialismo deixava de ser uma doutrina exclusivamente europeia para ganhar o mundo, superando seu eurocentrismo inicial. Os trabalhadores e povos explorados em todo o planeta continuam encontrando no marxismo revolucionário de Lênin o indicativo preciso da união da teoria com a prática, para a organização das lutas de resistência e enfrentamento aos imperativos do capital, com vistas à construção da alternativa socialista, no rumo do comunismo.
VIVA LÊNIN! VIVA A REVOLUÇÃO SOCIALISTA!
O Portal do PCB, em sua seção de Formação, oferece parte da produção intelectual de Lênin, nos seguintes livros:
  • As Teses de Abril
  • As Três Fontes e as Três Partes Constitutivas do Marxismo
  • Capitalismo e Agricultura nos Estados Unidos da América
  • Duas Táticas da Social-Democracia na Revolução Democrática
  • Esquerdismo, Doença Infantil do Comunismo
  • O Estado e a Revolução
  • O Imperialismo, Fase Superior do Capitalismo
  • Que Fazer?
  • Sobre a Dualidade de Poderes
  • Um Passo a Frente, Dois Atrás
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terça-feira, 3 de janeiro de 2012

PCB ENTREGA MEDALHA DINARCO REIS, EM MEMÓRIA, A CARLOS MARIGHELLA

Em expressivo ato público ocorrido na semana passada, na Associação Brasileira de Imprensa (ABI), Rio de Janeiro, convocado por várias entidades, o secretário-geral do PCB, Ivan Pinheiro, prestou homenagem a dois grandes militantes comunistas: Dinarco Reis e Carlos Marighella.



O evento se deu em comemoração do centenário de Carlos Marighella e tinha como chamada uma frase emblemática deste grande militante comunista: NÃO TIVE TEMPO DE TER MEDO. Em nome das entidades que compunham a mesa, presidida por consenso por Luiz Rodolfo Viveiros de Castro (Gaiola), usaram da palavra Mauricio Azedo (Presidente da ABI), Wadih Damous (Presidente da OAB-RJ), Cecília Coimbra (Tortura Nunca Mais), Amanda (Direção Nacional do MST) e ex-militantes da ALN. Os deputados estaduais Paulo Ramos e Geraldo Moreira anunciaram a concessão da Medalha Tiradentes a Marighella, por parte da Assembléia Legislativa do RJ.

Ivan Pinheiro explicou aos presentes que a Medalha Dinarco Reis é concedida anualmente pelo PCB a camaradas que orgulham a história do PCB, mesmo que tenham saído do Partido por divergências, desde que mantendo a ideologia comunista e o respeito pelo Partido. Dinarco Reis, o “Tenente Vermelho”, foi dirigente do PCB durante décadas; é herói da Revolta Comunista de 1935 e voluntário da Guerra Civil Espanhola e da Resistência Francesa.

O dirigente do PCB deixou claro também que não se tratava ali de o Partido querer se apropriar da memória de Marighella, que pertence aos revolucionários e ao povo brasileiros, e tampouco de debater dissidências do PCB após o golpe militar, que eram mais sobre formas de luta do que de conteúdo estratégico.

Uma delas, criada por Marighella, chamou-se Ação Libertadora Nacional. Como o PCB, a ALN defendia a idéia, que já vinha sendo criticada por Caio Prado Jr. e outros comunistas, de uma etapa nacional, democrática e libertadora, antes da etapa socialista da revolução brasileira.

Ao fim de seu discurso, Ivan Pinheiro convidou Dinarco Reis Filho, presidente da Fundação que leva o nome de seu pai, a entregar a Medalha Dinarco Reis a Carlinhos Marighella, filho de Carlos Marighella, que fez um emocionante pronunciamento, valorizando seu pai como o militante corajoso e abnegado, solidário e cordial, que conjugou várias formas de luta, sempre conseqüente com suas opiniões.

Como se tratava de um ato amplo e unitário de homenagem a um dos grandes heróis das lutas do povo brasileiro, todos esses oradores respeitaram as duas organizações pelas quais passou Marighella (PCB e ALN) e principalmente a pluralidade das entidades e das inúmeras personalidades presentes, unidas no ato pela questão democrática e pela necessidade de se apurar a verdade dos crimes da ditadura. Além dos deputados estaduais citados, prestigiaram o evento os deputados federais Alexandro Molon e Chico Alencar.

Todos ressaltaram o ser humano cordial e solidário, que colocou sua vida inteira a serviço da luta por uma sociedade justa e solidária, sem opressores.

Este ambiente de emoção e unidade não foi comprometido por destoantes manifestações de auto-afirmação revolucionária de natureza messiânica. As lutas contra a ditadura do capital e pelo socialismo continuam vigentes e cada vez mais necessárias. O PCB homenageia Marighella como um dos grandes lutadores brasileiros, pensando no presente e no futuro das lutas revolucionárias. Se ainda estivesse entre nós, estaria à frente dessas lutas e não olhando para o passado.

Duas presenças emocionaram os participantes: Zilda Xavier Pereira, que atuou com Marighella no PCB e na ALN, mãe de dois jovens assassinados pela ditadura (Alex e Iuri), e Eliseu, um velho comunista ligado ao PCB (ex-vereador pelo Partido no RJ nos anos 40 e dirigente sindical), que resolveu comemorar no ato público o seu aniversário de 100 anos de idade, cumprido naquele dia.